Da privatização dos serviços essenciais

O que estamos a assistir é à firme deslocação da responsabilidade pública para o sector privado sem vantagem colectiva discernível. Contrariamente à teoria económica e ao mito popular, a privatização é ineficiente. […]

Não se pode deixar que companhias de electricidade ou gás privatizadas, ou redes de controlo de tráfego aéreo, parem bruscamente devido a má gestão ou incompetência financeira. E é claro que os seus novos gestores e donos sabem disso.

Curiosamente, esse pormenor escapou ao olhar geralmente arguto de Friedrich Hayek. Na sua insistência para que as indústrias monopolistas (incluindo caminhos-de-ferro e fornecedores de água e electricidade) fossem deixadas em mãos privadas, ele esqueceu-se de prever as implicações: dado que nunca seria permitido a esses serviços nacionais vitais desintegrar-se, os privados poderiam correr riscos, desbaratar recursos ou apropriar-se indevidamente deles à vontade, sabendo sempre que o governo pagaria a conta. [Tony Judt, Um Tratado Sobre os Nossos Actuais Descontentamentos, Edições 70]

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