May 20, 2012

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Da verticalidade (e da falta dela)

Há coisas sobre as quais não vale a pena fazer política. É um facto insofismável que o Ministro que tutela a comunicação social ameaçou divulgar dados da vida pessoal de uma jornalista e promover um bloqueio ao jornal Público como forma de condicionar a publicação de uma reportagem que dava conta de incongruências nas declarações que tinha proferido na Assembleia da República.

Perante isto, o Primeiro Ministro opta por chamar estúpido ao povo que não sabe aceitar a dádiva do desemprego e tenta convencer-nos de que uma ameaça deste teor, feita pelo Ministro que tutela a Comunicação Social, não é um ataque à liberdade de imprensa. O Presidente da República, esse empecilho democrático a que a Cavaco Silva se condenou, assobia para o lado assistindo como fantoche à delapidação da democracia. O PSD e o CDS (bem como as respectivas trupes opinadoras), em tempos algozes da propalada asfixia democrática, fazem o favor de nos mostrar que há muito quem apregoe a verticalidade mas não se canse de rastejar.

Não sei se os portugueses já perceberam, mas este Portugal, em 2012, caminha inexoravelmente para abismo. Embalados pelo discurso da inevitabilidade, vão construindo um estado novo sobre o qual teremos muitas razões para carpir. Mas, no entretanto, vamos continuando entretidos com a Selecção.

May 11, 2012

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Do Privilégio do Desemprego

Num país sério, um Primeiro Ministro que dissesse que o desemprego pode ser uma oportunidade teria que contar aos cidadãos toda a verdade sobre o seu percurso profissional e sobre as formas como criou essas oportunidade de emprego que diz serem tão fáceis de criar.

May 11, 2012

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Estado de Direito?

Os principais entraves ao desenvolvimento do país são os elevados níveis de corrupção entre os decisores políticos e a vulnerabilidade da justiça perante situações de fraude e corrupção que os portugueses reconhecem como altamente prevalentes.

Nos últimos tempos, os portugueses têm sido surpreendidos com uma série de notícias que demonstram que o Estado de Direito é uma miragem colectiva que os responsáveis políticos utilizam para engalanar os discursos. Da subservação política do Tribunal Constitucional na questão dos subsídios à prescrição forçada dos crimes de Isaltino Morais parece que nada consegue travar a erosão da confiança que os portugueses ainda depositam na Justiça.

Assim não dá. E qualquer dia isto dá para o torto e os portugueses que legitimamente se sentirem injustiçados passam a tratar dos assuntos sem recorrer aos tribunais. E aí será uma tragédia ainda maior. Mas ninguém pode dizer que não foi anunciada.

May 6, 2012

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Garrett McNamara rides 30 meters wave in Nazaré, Portugal.

(Source: youtube.com)

May 5, 2012

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O fenómeno Benfica merecia um estudo

Desde que nasci, o clube português que alcançou os melhores resultados em quantidade e em qualidade foi o Futebol Clube do Porto. Apesar desta indesmentível realidade, os apoiantes do Benfica, clube com maior número de adeptos, têm alimentado a convicção de que o seu insucesso é exclusivamente motivado por factores externos ao futebol, acreditando continuadamente que praticam o melhores futebol e que têm os melhores jogadores, os melhores treinadores e os melhores dirigentes.

Os adeptos do Benfica alimentam um discurso de permanente injustiça que resulta de uma estratégia, intencional ou não, de intensa propaganda que goza de uma imprensa interessadamente favorável. O que me causa espanto é que algumas pessoas inteligentes, capazes e coerentes percam completamente a noção dos limites entre a realidade e a ficção, alimentando crenças que muito se aproximam do delírio. É como se acreditassem que o Futebol Clube do Porto tem uma máquina que provoca cancro nos dirigentes políticos da América latina…

Declaração de conflito de interesses - sou adepto e sócio do Sporting Clube de Braga, único clube de futebol que apoio e pelo qual tenho simpatia.

May 5, 2012

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Keith Haring.

Keith Haring.

(Source: angeloferrigno)

May 5, 2012

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Vão para o raio que os parta, sim senhora!

Para lá da incontornável incoerência de se pretender falar do povo escrevendo contra quem fala do povo, Helena Matos tem muita razão no diagnóstico que faz da nossa triste situação. Na verdade, os últimos 100 anos de governação do país foram dominados, tanto à direita como à esquerda, por uma elite extremamente conservadora. E convém não esquecer que a direita conservadora, com as suas elites económicas, políticas, sociais e religiosas, esteve no poder durante 3/4 desse tempo. Deu nisto.

May 3, 2012

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Donos de Portugal

(Source: vimeo.com, via claudiorodrigues)

May 3, 2012

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O rosto sob a máscara

Gostaria de não voltar à provocação congeminada pelo grupo Jerónimo Martins contra o feriado do 1.º de Maio e a luta dos trabalhadores portugueses pelos seus direitos, mas a culpabilização que por aí tenho visto dos consumidores, na sua maioria pobres (e é desses que falo), que literalmente assaltaram as lojas Pingo Doce para conseguir géneros alimentares a metade do preço é, para mim, incompreensível.

É certo que nem só de pão vive o homem, mas dizer isso a quem tem fome (fome de pão tanto como de justiça) parece-me uma crueldade inaceitável.

Como inaceitável é a condenação dos trabalhadores do Pingo Doce - em geral precários e com salários brutos inferiores a 500 euros - por terem cedido à chantagem da empresa, furando a greve para, mesmo humilhados e ofendidos, poderem manter o emprego. Por um humilhante e extenuante dia de trabalho terão recebido um salário/dia a triplicar, cerca de mais 30 euros; e, sobretudo (quem os culpará?), a possibilidade de obterem também alimentos com 50% de desconto.

Alexandre Soares dos Santos tem uma agenda política e, com total insensibilidade social e moral, pôs as suas lojas, os seus trabalhadores e os seus clientes ao serviço dessa agenda. Alguma coisa, além de comida a metade do preço por um dia, os portugueses ganharam com isso: viram o rosto que está por detrás da máscara.

(Manuel António Pina, JN, 03.05.2012)

May 3, 2012

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Sem Pingo de Vergonha

O 1.º de Maio, que se comemora em todo o Mundo, evoca a luta dos trabalhadores de Chicago e a repressão policial que, nesse dia e seguintes de 1886, provocou dezenas de mortes entre os operários que reclamavam não mais de 8 horas de trabalho por dia.

O patronato não gosta do 1.ºo de Maio, como não gosta de jornadas de trabalho de “apenas” 8 horas. E, como os tempos vão de feição, este ano, à semelhança de 2011, as grandes superfícies, propriedade de alguns dos “Donos de Portugal”, romperam o compromisso de fechar nesse dia. Por isso os sindicatos convocaram uma greve dos trabalhadores dessas lojas, em geral precários e miseravelmente pagos.

O Pingo Doce não esteve com meias medidas: para evitar que os seus empregados aderissem à greve, anunciou para ontem (só ontem) uma “promoção” de 50% em compras de mais de 100 euros, usando o desprezível processo de atirar consumidores contra trabalhadores e humilhando estes com um dia de trabalho se possível ainda mais penoso, no meio do caos generalizado, filas, discussões, agressões e incidentes de toda a ordem.

Lá longe, na Holanda, Alexandre Soares dos Santos deve estar a rir-se. Ele sabe bem que, como diz um anúncio do seu Pingo Doce, nas “‘promoções’, baixa-se o preço de um lado e aumenta-se do outro e (…), quando se fazem as contas, gastou-se mais do que se poupou”.

(Manuel António Pina, JN, 02.05.2012)

May 1, 2012

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capuccino @ brick lane (Tirada com o instagram)

capuccino @ brick lane (Tirada com o instagram)

May 1, 2012

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Um Pingo Muito Amargo (2)

Esta promoção do Pingo Doce levanta-me duas dúvidas que as autoridades devem investigar e esclarecer: 1) há ou não venda de produtos abaixo do preço de custo? 2) quem vai pagar a factura da segurança policial que foi requisitada devido ao espectáculo promovido pelo Pingo Doce?

May 1, 2012

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Um Pingo Muito Amargo (1)

Não posso esconder a grande tristeza que sinto quando vejo as imagens de meio Portugal a salivar inebriado perante o desconto que o Pingo Doce está a conceder. Os portugueses, coitados, lá aproveitaram o que os senhores do feudo decidiram para hoje. A Jerónimo Martins quis dizer aos portugueses que decide, por via do dinheiro, quando é que eles trabalham e quando folgam, quando é que eles compram caro e quando compram barato. E isto é só o começo.

Os portugueses, esmagados pela factura do BPN, é claro que aproveitaram. Muitos foram comprar o leite polaco, o sabonete francês e o fiambre espanhol que lhes dá-de servir de sustento durante todo o mês. Outros não foram porque simplesmente não tinham cinquenta euros para gastar. É assim o Portugal do século XXI.

Apr 10, 2012

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A Polícia Ainda É Nossa Amiga?

Em poucos meses, os portugueses assistiram a uma mudança significativa do comportamento dos agentes da PSP que tem motivado justificados protestos contra a utilização excessiva, desadequada e desproporcionada de estratégias violentas. Quando o país ainda se recompunha das graves agressões a jornalistas no Chiado, em Lisboa, eis que somos novamente surpreendidos com uma bárbara, desnecessária e gratuita agressão a dois adeptos do Sporting de Braga por parte de um agente da Polícia de Segurança Pública.

A polícia, mais do que ninguém, tem por obrigação contribuir para evitar agressões, interrompendo as espirais de violência que qualquer livro de comportamento humano detalha. Contudo, o que temos visto, com o vergonhoso consentimento público do Governo, são situações em que a polícia é a principal promotora da violência, adoptando uma postura que envergonha a democracia e faz tábua rasa dos direitos mais básicos dos cidadãos.

Hoje, mais do que nunca, começo a duvidar da máxima que nos ensinaram na escola primária.

Apr 8, 2012

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s. f.
1. figura de retórica pela qual fingimos lembrar-nos de uma coisa esquecida.
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3. restabelecimento da memória.
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